domingo, 21 de outubro de 2012

Pra te fazer chorar


Quem nunca cortou uma cebola na cozinha, e de repente sentiu aquele ardor nos olhos, e logo começou a lacrimejar? É praticamente inevitável picar cebola sem passar por isso. Mas o que será a causa dessa choradeira?

Ácido Propenilssulfênico

O grande culpado é um composto chamado ácido propenilssulfênico. Na verdade, não exatamente.
Este ácido em si, não causa nenhuma irritação (até por isso não choramos só de sentir o cheiro da cebola), e fica estocado nas células da cebola. Entretanto, quando as células são destruídas, o ácido é transformado em propanotial-S-óxido, altamente volátil e altamente irritante. Esse sim é o grande vilão dos cozinheiros de plantão.

Propanotial-S-óxido


Um fato interessante, é que a cebola possui uma enzima responsável pela transformação do ácido propenilssulfênico em propanotial-S-óxido. Essa enzima foi, não por acaso, batizada de sintase do fator lacrimogênio. Isso explica porque o ácido está presente em outras substâncias, como o alho, mas só na cebola ocorre esse fenômeno.

Como evitar as lágrimas?
Partindo do pressuposto que o que nos faz chorar são as partículas voláteis liberadas pelo corte, então a solução é muito simples: evitar que essas partículas entrem em contato com nossos olhos.
Existem vários modos de fazê-lo:
  • Corte a cebola em uma bacia cheia d'água, ou embaixo da torneira, assim o composto irritante será levado pela água
  • Utilize uma faca afiada: quanto menos células forem destruídas, menor a quantidade de ácido será liberado
  • Ligue o ventilador ao lado da cebola, de um modo que o vento empurre o gás para longe
  • Utilize lentes de contato, óculos de proteção ou outro equipamento que evite o contato do propanotial-S-óxido com os olhos.

Ser criativo nessas horas sempre ajuda também!

Bibliografia
Química Volátil. Disponível em <http://www.quimicavolatil.com.br/2010/07/acido-propenilsulfenico-choradeira-da.html>

#comofas? Disponível em <http://comofas.com/como-descascar-e-cortar-cebolas-sem-chorar/>


Prof Hilario Moura. Aulas de Reforço em Química - Fortaleza-CE. Disponível em <http://hilariomoura.wordpress.com/2010/02/20/curiosidades-quimicas/>


Instituto Ciência Hoje. Disponível em <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/cerebro-nosso-de-cada-dia/para-acabar-com-a-choradeira-na-cozinha>

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Consumo de Etanol



É bem provável que todos já tiveram contato com o Etanol em sua vida.
Por ser o álcool mais comum em nossas vidas, chamamos o etanol (C2H6O) simplesmente de ÁLCOOL. Na temperatura ambiente ele se apresenta como um líquido translucido, com Ponto de Fusão de -118ºC e Ponte de Ebulição = 77 °C.


A ingestão de etanol pode causar diversas complicações, como irritações nas vias de exposição e quando em grandes quantidades, pode causar severos danos, principalmente ao fígado e aos rins.
No entanto, o álcool é a droga mais consumida no mundo todo. Cada cultura tem suas diferentes bebidas alcoólicas típicas. Seu consumo excessivo e prolongado constitui uma doença.
Como pode ser obtido por meio de processos de fermentação natural, existem registros de sua utilização que datam de mais de oito mil anos. Apesar de ser possível sintetizá-lo em laboratório, a legislação determina que o etanol utilizado em bebidas alcoólicas seja obtido a partir da fermentação natural de frutas, grãos e cana de açúcar.

Efeitos do Etanol, em função da concentração no sangue, num indivíduo de 70 kg
Percentual (em volume) de álcool no sangue
Efeito no ser humano
0,05
Euforia ou tranquilidade
0,1
Perda do controle motor
0,2
Descontrole das emoções
0,3
Inconsciência
0,4 a 0,5
Estado de coma
0,6 a 0,7
Morte

Na figura abaixo, temos um panorama dos efeitos advindos da ingestão prolongada de bebidas alcoólicas:



Referências:
WARDLAW, G. M. ET AL. Contemporary nutrition; issues and insights. 2 ed. St Louis Mosby, 1994. p. 507.
GARRITZ, A.; CHAMIZO, J. A. Química Geral. São Paulo: Pearson/ Prentice Hall, 2003. Pg 37.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Que cheiro é esse?

Já falamos aqui de um odor muito agradável: o Linalol, responsável pelo perfume das rosas e principal componente do famoso Chanel nº 5. Entretanto, tomamos contato em diversas situações com cheiros muito diferentes daquele primeiro exemplo. Quem nunca encontrou na sua própria casa um alimento estragado, ou passou perto de um rio poluído e sentiu aquele cheiro nada agradável?

Tanto os cheiros ruins como os prazerosos interagem da mesma maneira com nossos sentidos, por meio do olfato. Em nossos narizes, existe um tecido chamado de epitélio olfativo, onde encontram-se milhões de receptores químicos ciliados. Mais precisamente em nós, existem 100 milhões de receptores, cada um com 6 cílios. Outros animais como o cachorro, por exemplo, de sentido mais aguçado, possuem mais de 100 milhões de receptores, com 100 cílios cada. E são esses cílios que entram em contato com as partículas químicas do odor em si. Esses receptores fazem parte de um complexo sistema, ligado a nervos olfativos, que são estimulados quimicamente pelos odores e enviam esses estímulos ao cérebro, que se encarrega de "decodificá-los"


O modo como se dá o entendimento de cada cheiro é bastante complexo, e rendeu aos pesquisadores Linda Buck e Richard Axel um prêmio Nobel em 2004. Segundo eles, o cheiro é percebido por uma série de sensores diferentes. Além disso, as moléculas "cheirosas" interagem com mais de um desses sensores, e em intensidades diferentes. Assim, a sensação global do cheiro é uma combinação de diversos receptores ativados, com diferentes intensidades. 

Isso é somado ao fato de que um odor nunca é composto por uma única molécula, e que diferentes moléculas (devido ao seu peso molecular e ponto de ebulição) podem volatilizar-se mais ou menos facilmente. Por volatilização, entenda-se que mesmo que um material esteja no estado sólido ou líquido, algumas moléculas deste podem desprender-se e flutuar pelo ar.

Por fim, o cérebro ainda tem a grande capacidade de memorizar diversas combinações, o que significa que sabemos diversos cheiros, e relacionamos eles a memórias boas ou ruins. Voltando ao assunto do mau cheiro, este normalmente é associado a perigos (substâncias em decomposição, que possam fazer mal à nossa saúde), o que é uma associação instintiva e evolutiva, adquirida ao longo da história de nossa espécie. Outras memórias ruins podem estar relacionadas a traumas pessoais, fato que já entra no âmbito da psicologia. É fato que sempre que sentimos um odor desagradável, nossa tendência é de se distanciar, de evitar tal cheiro.

Na tabela abaixo, apresentamos alguns compostos responsáveis por cheiros que todos nós já nos deparamos algum dia, e na maioria dos casos não gostamos nem um pouco!
Referências:
Silva, V. A., Benite, A. M. C., e Soares, M. H. - Algo aqui não cheiro bem... a química do mau cheiro. Química Nova na Escola, vol 33, nº 1, Fev 2011. 
Disponível em: http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc33_1/01-QS9309.pdf

Vilela, A. L. M. - Anatomia & Fisiologia Humana. Sentidos: Olfato.
Disponível em: http://www.afh.bio.br/sentidos/Sentidos7.asp